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  • Denise Castro

O Preconceito Linguístico


Um papo de Brasil para brasileiro: A respeito do livro "O preconceito linguístico" de Marcus Bagno.

"Diz-se que o “brasileiro não sabe Português” e que “Português é muito difícil”. Estes são alguns dos mitos que compõem um preconceito muito presente na cultura brasileira: o linguístico. Tudo por causa da confusão que se faz entre língua e gramática normativa (que não é a língua, mas só uma descrição parcial dela). Separe uma coisa da outra com este livro, que é um achado." Revista Nova Escola, maio de 1999. Marcus Bagno por ele mesmo: "O preconceito lingüístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. Nossa tarefa mais urgente é desfazer essa confusão. Uma receita de bolo não é um bolo, o molde de um vestido não é um vestido, um mapa-múndi não é o mundo... Também a gramática não é a língua. " Agora eu vos digo: Já não bastam os demais preconceitos existentes na humanidade, os problemas sociais por eles mesmos; o caos que é a comunicação humana e você ainda vai se preocupar com a maneira como o outro fala e julgá-lo?? Para se fazer bem entendido, tudo precisa de um contexto. A língua pode se manifestar de diversas formas e por essa razão, por ter variedade e riqueza, poucos distinguem o que é relevante em cada variante. A fala. Ela é mais livre. Em que sentido? Preocupa-se principalmente com o pouco esforço. É embebida de raízes culturais, sociais e políticas. Move-se e muda rapidamente. Logo, o que a vai fazer mais "bonita" ou "menos bonita" será o contexto e o preconceito de alguns ouvintes. A escrita. É orientada por normas. Por quê? Para se fazer entendido. Na escrita há apenas códigos, letras, palavras, frases. Nao vem com esse grupo um olhar, gesto de mãos, linguagem corporal. Você tem que se fazer entendido em qualquer comunidade de língua portuguesa! Neste aspecto entra a norma para facilitar, ajudar no processo de criação do texto. A leitura. Há muitos que não foram alfabetizados. Há muitos também que sabem ler, mas não sabem compreender o que estão lendo. Os motivos são diversos e podem adentrar também na política, no social e no cultural. Então questiono e penso, o Brasil é realmente imenso e rico em muitos aspectos, por que então perder tempo fazendo escárnio das seguintes falas ouvidas em nosso país: "égua" do paraense; do "bá" gaúcho, do "que porra é essa" do carioca, do "trenzinho bão" dos mineiros? E de tantos outros "nós faz, nós paga", "a gente fomos bem ali" que há pelo Brasil? Quase todo mundo troca de roupa todo dia. Tal ato se assemelha à língua, ela deve se adaptar ao meio, precisa se distinguir entre os contextos e nós... nós podemos, sim, ensinar àqueles que não conseguem distinguir, sem ferir seus princípios, sua cultura, suas raízes. Essa é a premissa de Marcus Bagno, ensinar com respeito. Viver com respeito. Ouvir com respeito. Fazer mais, julgar menos. Boa reflexão!

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