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  • Denise Castro

Intertextualidade, o poder do diálogo


Você sabe o que é Intertextualidade? A delícia que ela é? Antes de partir para a definição, pense no sabor, na alegria de identificar outras vozes, outras falas naquilo que está a ler, ouvir, assistir, viver. "Eu já vi isso num livro!" "Esse filme tem trechos de tal obra." E por aí vai... Lembram da música Amor I love You? (Marisa Monte) "E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saíam delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido: sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, a alma se cobria dum luxo radioso de sensações!" Quem já leu "O primo Basílio" de Eça de Queiroz, achou-se nesse momento! E com certeza deve lembrar das coisas que acontecem a seguir e desejar tudo de ruim pro Basílio, nada querido. A intertextualidade, explícita ou não, enriquece grandiosamente qualquer produção textual. Dialogar, relacionar textos verbais e não-verbais mostra para o seu leitor que sua biblioteca mental está em constante upload. Atualizar-se e ainda saborear os textos literários dar-lhe-á bons frutos na hora de exercitar a escrita. "As próprias ideias nem sempre conservam o nome do pai, muitas vezes aparecem órfãs, nascidas do nada e de ninguém, cada um pega delas, verte-as como pode e vai levá-las a feira onde todos a tem por suas." Machado de Assis quando disse isso nem existia a geração "CTRL+C" "CTRL+V" e mesmo assim as vozes dos autores já se misturavam, ou melhor dizendo, dialogavam-se entre si, pelo então hábito constante da Leitura e da Escrita. O primeiro a abordar a intertextualidade foi o pensador russo Mikhail Bakhtin como conceito operacional de teoria e crítica literária, porém não usava essa denominação e sim a chamava de “dialogismo”. Nas palavras de outra estudiosa a seguir, Kristeva (apud KOCH, BENTES e CAVALCANTE, 2008), “qualquer texto se constrói como um mosaico de citações e é a absorção e transformação de um outro texto.” Em outras palavras, não existe texto neutro, puro, original. (Deixe o medo e a insegurança de lado, pratique, escreva sem medo de ser feliz!) Mais tarde, a semioticista Julia Kristeva (FIORIN, 2006: 51) vai nomear como “intertextualidade” o que Bakhtin chamou de “dialogismo”.

De acordo com a pesquisadora, para que ocorra intertextualidade, é necessário que o leitor possa reconhecer a presença de outro texto ou de fragmentos produzidos anteriormente, que estabeleçam relação com o texto lido. Em outros termos, é preciso que haja a presença de um “intertexto”. Bons Estudos!

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