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  • Denise Castro

Sexta-feira, um bar e umas histórias


"Garçom, aqui, nesta mesa de bar, você já cansou de escutar, centenas de casos de amor."

Eu mesma não só já experimentei ir sozinha diversas vezes a variados bares, em Belém, Rio de Janeiro (Brasil); em Lisboa (Portugal), em Bregenz (Áustria), Friedrichshafen, München (Alemanha) como também já fui bartender e preparei e servi cocktails recheados de histórias. Tinha sempre comigo meu caderninho pra guardar as melhores ideias e as melhores oportunidades de uma possível narrativa a criar.

Se você não quer utilizar o velho caderninho, sinta-se à vontade para aproveitar também o que a tecnologia tem a lhe oferecer. Anote no telefone. Grave áudios com suas ideias, caso não queira escrever. Hoje em dia, qualquer smartphone tem um gravador de voz, mas se não houver, no panic, também há diversos aplicativos com este mesmo recurso.

Ir a um bar é estar disposto a passar pelo inusitado. Conhecer pessoas em "festa estranha com gente esquisita"... é tomar um drink e sentir-se bem consigo mesmo. Olhar as pessoas nos olhos. Não se preocupar com o que elas tem a dizer ou pensar de você, principalmente se você for uma mulher, num bar e estiver sozinha.

E se você realmente se sentir livre depois desta experiência, acredite, algo em você vai mudar e diria até, pra melhor.

Uma vez, no Rio de Janeiro (2011), mais especificamente em Ipanema, no Irish Pub, fui sozinha para apreciar o Rock & Roll de lá ao vivo. Pedi meu copo de cerveja e sentei-me no bar. As mesas estavam já todas ocupadas. Um pouco depois, um casal de argentino começou a ablar comigo, o álcool deles já estava em outro nível e nem minhas fotos eles deixavam em paz. Para todo o lado que minha lente apontava, lá estavam eles a meter a cabeça... Hoje acho graça, ao lembrar, mas naquele dia já estava para ser bruta.

Depois do livramento argentino, veio um rapaz alemão puxar conversa comigo, num português bem ranhoso... o que o fez pular rapidamente para o inglês. Lá falamos e bebemos à toa ao som do rock. Até hoje somos amigos e, por ironia do destino, vivo hoje no país dele, mas em cidades diferentes.


Enquanto tudo isto acontecia, em meio à conversa com o alemão, uma mulher, carioca, interrompeu-me. Achei aquilo esquisito, mas dei uma chance, porque ela realmente insistia em falar comigo em particular. Para minha surpresa, veio a pergunta:

"Quanto você tá cobrando dele? Sou novata aqui e não sei ainda, é alemão né?"

O meu nervosismo e espanto diante de tal pergunta foi tão grande que o pouco de minha lucidez só me fez fazer uma coisa: MORRER DE RIR! Eu não queria acreditar no que estava ouvindo. Não foi alguém que me confundiu com uma profissional do sexo. Foi uma delas que veio dialogar comigo sobre os "negócios." Ela, claro, ficou super aborrecida, mas eu respirei fundo, contive o nervosismo e respondi que aquilo era um mau entendido.

"Sou professora de Belém do Pará e sim, estou sozinha num bar, falando com um alemão, turistando pelo Rio de Janeiro, mas não, não tenho como ajudá-la, pois não conheço este ramo."

Ela ficou atônita, espantada, envergonhada... E me pediu mil desculpas. Eu apenas passei-lhe a mão no ombro e disse: "Relaxa, hoje é sexta-feira, cada um com sua história." Paguei-lhe uma cerveja, o alemão riu da situação. Voltei para o Hostel satisfeita com os encantos que uma noite no bar me proporcionou. Sem isso, eu nada teria além de teorias para acrescentar hoje, neste exercício.

Vá então curtir a sua sexta-feira com um olhar mais observador. De um bar podem sair muitas narrativas incríveis.

Boa escrita!

#Bar #Sextafeira #Cerveja #Ideias #Criatividade

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