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  • Denise Castro

Leitura noturna II


Acordei desorientado, com uma dor na cicatriz do coração recém adquirido. Não estava mais no quarto do hospital. Na ambulância, me encontrava. Uma pequena tocou minha testa e disse que ia ficar tudo bem, era a filha do vizinho. Ela tinha o peito aberto em vísceras expostas. Antes que eu pudesse gritar, a mão direita de um menino cego, subitamente, tapou minha boca. Na mão esquerda, ele tinha um de seus próprios rins. Naquele estado em transe, a voz dele ecoou em meus ouvidos:

“Está aqui seu rim. Quero teus olhos.”

Acordei de novo. Suando. Gritando.

“Foi um sonho?” — mas tinha dor em, agora, duas cicatrizes. E Édipo estava ali ao meu lado, cinza, com a carne aberta e um bisturi na mão direita, indagando:

“Pronto para doar?”

#Contos #Horror

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