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  • Denise Castro

Entre Poetas


Eu demorei... demorei a gostar de Lisboa. Demorei a aceitar a minha primeira "derrota" na Alemanha. Até emergir um dia, em meio à falta de esperança, por meio de uma caminhada ali entre os alfarrabistas da Baixa lisboeta, em uma bela tarde de domingo. Neste dia, a cidade me permitiu escutar a voz da Poesia.

Tudo estava diferente. A luz, o cheiro, as pessoas... Parecia aquele último curta de Paris Je t’aime, no qual a personagem senta-se diante do parque e percebe que ali sozinha, apaixonou-se por Paris.

Eu alí, sozinha, no outono de 2012, sentei-me ao pé do grande Camões. Tomei um cálice do Porto com um pastelzinho de nata. Li metade do livro do Dessassosego naquela tarde, aquecida à vinho e palavras.

Andei pelo Bairro alto. Naquela altura estava por minha conta. Não tinha amigos, não conhecia ninguém. Não tinha lenço nem documento e precisava ouvir uma resposta do destino. Era isto real e possível ou mais um falhanço?

Cheguei ao largo da Graça. Vi aquele elétrico amarelinho passar... fotografei com meus olhos cada estalar da ferrovia.

Pousei meu caderno mais adiante, no miradouro Príncipe Real. Olhei o horizonte. Minhas pernas não sustentavam a beleza. Sentei-me. Fernando Pessoa tinha razão, se eu pensasse demais ali, meu coração não aguentaria.

Nesse instante, vislumbrei Lisboa. Apaixonei-me como a um pássaro em seu primeiro voo. E esse pássaro voou até o Castelo de São Jorge. Retornou ávido. Beijou-me de volta, anunciando que eu também flechara o coração de Lisboa. Voei com a caneta e com as tantas histórias, desde à saída do Porto até à chegada em Santa Apolónia, minha primeira viagem de trem, naquele país.

Era gratidão sussurrando em meus ouvidos. É uma memória poética enraizada em mim, nesta noite de terça-feira.

#Lisboa #Portugal #Crônica #Poesia #Saudades

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