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  • Denise Castro

Escrevendo em um Pub


Deixa eu contar hoje pra vocês sobre uns experimentos. Eu adoro escrever em boteco, pub. Pode parecer estranho, mas pra mim é um banquete dos deuses. Só que ao invés de ser ao modo Dionísio ou Baco, regado a vinho, é regado a cerveja mesmo.

Estamos na Baviera: – Servus!

Meu lugar favorito de todos os tempos é o Irish Pub. Gente bacana, batata frita gostosa. Funcionários gente boa. Visitantes diversos, língua, cultura, gostos. Eu costumo sentar sempre junto ao bar ou ficar rondando até aparecer um banquinho livre. Na maioria das vezes vou sozinha, de vez em quando com alguma amiga.


Certa vez, no dia em que fui com uma amiga, estávamos a falar sobre gatilhos pra uma história e eu lhe disse que tudo é um gatilho, depende apenas da nossa imaginação. Ela não estava entendendo muito bem, daí eu disse:

– Bebe mais que a gente chega lá 😄


Ela bebeu mesmo mais, eu também. Até o momento em que, claro, a bexiga precisava ser aliviada. Disse-lhe que ía ao banheiro. O Pub estava lotado. A minha ida demorou, como era previsto. Ao finalmente retornar, contei o seguinte à minha amiga:

– Tá vendo aquele gajo ali?

– Qual, aquele de camisa preta com gola branca?

– Esse mesmo!

– Já sei, veio com conversa fiada contigo.

– Não não, ele veio com conversa fiada com aquela gaja ali do outro lado.

– Ei, mas ela tá com o namorado ou marido, sei lá.

– Mulher, tu conhece a tia?

– Não.

– Então te acalma, deixa eu terminar. O gajo, pelo que eu entendi, chegou junto da menina e lhe pediu o telefone. Ela deu-lhe um cartão (sabe como é a Alemanha, aqui ainda se usa cartão) e ele ficou todo feliz. Esse aí que parece o namorado, não estava por perto.

– Vish Maria, danadinha hein.

– Calma, ainda tem mais. O abestado de camisa preta com gola branca foi alí pra ponta do bar, nesse barulho, ligar pro tal número do cartão, olhando pra ela, todo com o peito de galo feroz, fazendo um teste, sabe.

– Sim, já sei, ela deu o número errado, clichê.

– Pior, acho que ela deu o número do namorado. Porque quando esse cara aí chegou perto dela, deu-lhe um beijo e a seguir tirou o telefone do bolso, demonstrando que ía atender uma ligação. O gajo do cartão ficou tão estupefacto, que na pressa de desligar, deixou o celular cair no copo de cerveja. Agora se foi coincidência ou se ela deu mesmo o número do namorado pra lhe pregar uma peça, eu não tenho como provar.

– Gente, mas que coisa não. Agora Mulher, tu fostes ao banheiro ou abelhudar a vida dos outros?

– Eu fui ao banheiro. O Narrador é que ficou no bar. 🤓😄

– Ah porra, sacanagem. Eu aqui atenta ao babado e o babado é do narrador.


Lição número 1: tudo, absolutamente tudo, independente da hora ou do lugar, pode virar um gatilho pra uma história. Basta estar literalmente presente e atento, jogar sal com pimenta, mexer um mocadinho e correr pro abraço, digo, pro papel.


**Atenção plena, Mindfulness não é modinha, é ferramenta do escritor.


Lição número 2: nunca revele o que é ficção e o que é realidade na sua história. É como explicar uma piada, tira toda a magia do processo.


Lição número 3: ir pra um pub comigo é garantia de muitas histórias. Só não garanto explicar a veracidade dos babados.


– Mas Denise, se pra imaginação eu preciso estar atento ao presente, começar a imaginar não é sair da atenção plena.




– É. Mas é sair do presente com o rascunho de uma história. Meta cumprida. Além disso, nós exercitamos a atenção plena para estimular a imaginação, assim como o resultado de nossa imaginação, a literatura, convida a nós e os leitores, a repensar o nosso presente.


– Ah tá... beleuza! Taí, gostei!



– Gostou? Então Inscreva-se aqui no Beabá. Lá no Instagram também vou colocando mais exercícios nos Stories.


Obrigada por chegar até aqui, até a próxima!


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